No entanto, eu me peguei pensando com meu elástico (minha roupa não tem botões): caracoles, e não é que eu vou ter que passar por tudo isso de novo? Do tipo, daqui a menos de seis meses? E assim sucessivamente ao longo dos próximos quatro anos da minha vida? A vida é realmente toda uma continuidade interminável de trabalhos, fichamentos, artigos e resumos? De onde viemos? Pra onde vamos? O que vai ter pro almoço hoje?
E foi assim, que em minha genialidade incomensurável e ainda maior altruísmo, decidi dedicar um pouco do meu tempo pra ajudar vocês, reles mortais. A seguir, desenvolverei métodos mais simples e rápidos para quem quer toda a praticidade de um trabalho acadêmico bem escrito e de conteúdo, mas sem toda aquela parte cansativa e maçante do aprendizado, esforço recompensado e engrandecimento intelectual.
Tabuleiro Ouija

Esse foi o método que eu imaginei enquanto começava um dos trabalhos na última segunda-feira. Tem a dupla vantagem de ser eficaz e simples de ser realizado, com o único drawback sendo a inconveniência dos gritos de pavor que vão preencher todas as suas noites pelo resto da vida.
Basicamente, ele consiste em chamar seu grupo de estudo, com a ajuda de um tabuleiro daqueles que só se vê em filmes de terror estrelados por versões adolescentes dos astros atuais de Hollywood, e usá-lo para invocar o espírito da maior entidade histórica especialista no seu campo de estudo (Estruturalismo? Saussure. Direito? Kelsen. Geometria? Euclides. Política? Clodovil). Peça pra um de seus companheiros (após gentilmente fazer uma prece pela alma imortal dele, que é a etiqueta correta nessas ocasiões) manter uma máquina de escrever a postos, para digitar rapidamente cada letra que o copinho indicar. Por que uma maquina de escrever? Por algum motivo, espíritos são aversos a computadores. Acho que eles devem ter tido experiências com o Windows Vista.
Uma alternativa a esse método seria unir o útil ao agradável: dê um fim ao maldito professor e invoque o espírito dele. Rá! Eu gosto do toque irônico nessa opção. O único problema é que, como agora não vai haver ninguém pra receber o trabalho pronto, você não vai ganhar nota, e isso talvez possa ser um pouco contraproducente
Mosaico
Esse método se baseia no altruísmo alheio e no fato de você ser mais esperto que todas as pessoas que você conhece. Peça pros seus queridos amiguinhos nerds (é bom que você tenha, principalmente nessa época do ano, queridos amiguinhos nerds) gentilmente lhe oferecerem ‘uma pequena ajuda com o trabalho do professor Fulano, oh meu deus está tão difícil, eu não consigo entender exatamente o que ele quer dizer nessa pergunta, ei você viu o episódio novo de Lost?’. Eles, pessoas caridosas que são, vão lhe ceder o próprio trabalho pronto para que você estude e entenda o que fazer. Estudar, ha, ha. Até parece.
Então, o próximo passo. Tire cópias Xerox de todos os trabalhos e posicione-os lado a lado. Com cuidado, recorte a primeira linha da cópia da esquerda. Lembre-se: use sempre uma tesoura sem ponta e trabalhe sob a supervisão de um adulto. Cole no alto da página em branco (sempre em branco) do seu próprio projeto. A seguir, repita o processo com a segunda linha do trabalho imediatamente à direita, e assim por diante, vá sempre recortando e colando. No fim, terás um trabalho que abrange tanto a sabedoria de toda a sua turma reunida quanto aquela saudável falta de coerência textual tão comum aos alunos do ensino superior brasileiro.
O segredo desse método é quantidade. Quanto mais amigos que façam o trabalho antes do prazo você tiver, mais material você vai ter para se inspirar. Como? Preocupado com questões autorais e possíveis processos legais por plágio? Relaxe, eles nunca vão perceber. Você é mais esperto que eles. Além do mais, não é plagio se você copia de todos eles juntos, certo?
Certo?
102
Pra procurar endereços, existe o Google Maps. Pra descobrir números de telefone, temos as páginas amarelas. Se você quer uma relação mais intima com a pessoa do outro lado da linha, tem um número diferente que é só pra isso. O Disk-Informações tinha de servir pra alguma coisa.
Apenas torça para que o atendente a quem você se conectar seja também, por coincidência, um PhD na sua matéria.
Ajuda Divina / Cerimônia Pagã
Método favorito por estudantes de Teologia, Medicina Alternativa, Ocultismo, e, estranhamente, jogadores de RPG, a ajuda divina consiste basicamente em clamar aos céus pela ajuda divina (dã!) da entidade espiritual pela qual você torce. Mas, calma, não vá pegar suas tábuas de pedra e sair correndo pelo deserto ainda. Como em toda boa conexão transcendental, existem detalhes.
Primeiro, é muito importante saber a que setor astrológico você deve se dirigir quando entoar um cântico pedindo ajuda. Não adianta apenas ligar pro Manda-Chuva (literalmente) lá Em Cima e esperar que ele lhe dê as respostas que você quer; o mínimo que vai acontecer é você ter que esperar horas no centro de orações enquanto eles decidem pra quem te transferir, enquanto toca uma musiquinha ao fundo (chances de ser Bee Gees: altas. Chances de ser Korn: tendendo a zero). Portanto, pra evitar burocracia, saiba logo de quem você quer ajuda: estudantes de Veterinária fazendo um trabalho sobre ornitologia poderiam invocar Hórus, enquanto Oceanógrafos podem preferir Netuno ou Posêidon.
Mas e se você não acredita em deuses? Bem, existe uma corrente alternativa para a Ajuda Divina chamada Cerimônia Pagã, que pede o auxílio de entidades muito mais terrenas. A vantagem é a maior diversidade: dependendo do seu estilo, você pode requerer uma entrevista com os espíritos da terra, a Mãe-Natureza, o Saci Pererê, o Conde Drácula, sei lá. Por outro lado, muito cuidado a quem você pede ajuda. Alguns desses caras não são confiáveis, e o setor de reclamações divino costuma ser um saco.
Em segundo lugar, saiba que, como todo serviço delivery, este tem um preço. Vários deuses, monstros e duendes exigem compensações diferentes pelo seu serviço bem feito e satisfação garantida. Lembre sempre de oferecer a recompensa certa em sacrifício: cestos com frutas são muito démodé, carneiros são legais e genéricos o suficiente pra agradar qualquer um. Mas os favoritos são, de longe, virgens e inimigos derrotados em combate. Como, hoje em dia, é praticamente impossível achar alguém do primeiro grupo (a não ser que você conte os jogadores de World of Warcraft, mas ninguém, nem mesmo os deuses, gostam de jogadores de World of Warcraft), bem... espero que perder no Halo 3 seja suficiente pra definir alguém como ‘inimigo derrotado em combate’.
E p-p-por h-hoje é só, p-p-pessoal! Mas não deixe minha falta de criatividade impedi-lo. Pense você mesmo na sua própria maneira de trapacear na vida, e não esqueça de comentá-la!
Mto bom o artigo. Devo dizer que existe sempre mais uma alternativa:
ResponderExcluirLEITURA MENTAL
Ora, pense no seguinte: todo trabalho é feito para se entregar a um professor ou entidade metafísica que cumpre seu papel( tipo monitores ou o estagiario do professor- coisa particularmente comum no curso de Direito), certo?
Ora, um método muito simples para fazer o trabalho a ser entregue é justamente saber o que o professor deseja e escrever isso, não é?
O truque então é procurar um especialista no assunto para lhe ensinar a técnica( a menos que vc seja Caroline de Poltergeist, ou tenha habilidades semelhantes- e se vc tiver certeza de que as vozes na sua cabeça não sao fruto de esquizofrenia...).
Minha sugestão é Milton. É, aquele mesmo: " Eu vou entrar na mente dele". O senhor kbça de ferro. Agora tome muito cuidado pra n quebrar a regra de ouro. Vc pode ter o caos...
O grande inconveniente desta técnica é a sempre existente possibilidade de vc ouvir vozes demais na sua kbça. O número de casos de pessoas que começaram a ouvir sons estranhos de gente gritando é muito alto. Lembre-se sempre da mulher negra( é, eu sei,afrobrasileira)de Ghost. Claro que falar com os mortos pode ser uma vantagem. Dúvidas sobre o assunto vide Tabuleiro Ouija, no arquivo acima.
devo dizer que, em momentos de desespero, essas são tecnicas que futuramente irei utilizar, mas aqui vai uma duvida que tenho desde que li estas tecnicas (e talvez antes disso); pedir ajuda aos deuses, as fadas e por ai é viavel, mas como eu coloco isso na bibiografia?? eu não posso esperar tirar um 10,0 num trabalho sem uma, não concorda? eu tambem não posso esperar que o professor seja compreensivel a ponto de escrever no meu trabalho algo do tipo "e a bibiografia? por acaso voce baixou o espirito santo?"
ResponderExcluir>>"e a bibiografia? por acaso voce baixou o espirito santo?"
ResponderExcluir-> cuja resposta obviamente seria 'sim!', acompanhada por um aceno de cabeca entusiastico.
Bem, eu acho que sempre se pode pedir, com jeitinho, que a divindade ou espírito sapiente não sejam sovinas quanto a sua sabedoria, e apontem também uma bibliografia para convencer o professor. Caso contrário, mesmo correndo o risco de o professor dar-lhe um safanão na cara ou no boletim, o negócio é admitir o recurso... hehehe
ResponderExcluirO texto tá mt bom, e a sugestão do colega ian victor também é bastante produtiva. Eu, honestamente, não sei como é que eu não pensei nisso antes! Vou levá-las para minha prática estudantil, mas não só. Vou levar isso tudo à minha vida profissional, e vou me destacar no mercado!
Demais, demais! Meus aplausos à vossa criatividade!