domingo, 21 de junho de 2009

Uma fábula universitária, parte 3...

[Parte 1 e Parte 2]

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Quem é ele? – perguntou alguém na multidão.

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Não sei. Nunca o vi antes. É daqui?

Os murmúrios perpassavam todos os presentes, que continuavam a olhar em descrença para o sujeito caído. Ninguém ousava se mexer. O professor, ainda de pé, bebeu mais uma vez em sua garrafa de água antes de proferir.

- Com a morte diante dos olhos, a questão do significado da vida torna-se inevitável. Quem venceu o medo da morte, venceu todos os outros. Essa pobre alma caiu da vida para a... a... a... a... a... a eternidade como uma folha solitária no Outono. Eu já nem faço mais idéia sobre o que estou falando. Alguém devia pegar a carteira do sujeito pra saber quem ele é. Ein, mestre Zé Amaro?

Lentamente, um dos alunos se abaixou ao lado do corpo e ergueu a mão para o falecido. No exato momento em que o tocou, o professor atrás dele gritou bruscamente ‘EI!’

- O que foi? – perguntou o rapaz, assustado.

- Por que você veio para a aula usando bermuda e sandálias de dedo?

Ignorando o mestre, ele sacou a carteira do bolso do rapaz morto, e rapidamente transferiu as notas para dentro da sua própria. Depois, tirou a identidade e a leu.

- Não acredito! – Exclamou, espantado – Ele é...

- ESPERE! – Outra pessoa gritou.

- Ai meu Deus, que foi agora?

- Não sei, tipo... já ta na hora de revelar a identidade da vítima? E o suspense, pô? – todo mundo olhava pra o sujeito magro. Algumas meninas davam suspirinhos – Sei lá, pô, assim... Vamos deixar pra revelar depois, que vai dar mais Ibope!

Todo mundo continuou olhando.

- Não concordam? En serio? No creo! Se a gente falar agora quem é esse cara, qual a graça daqui pro final da história, pô?

- ...

- Não? Tá bom. Eu sei quando não sou querido, pô. Obrigado pela parte que pitoca. Beijosmeliga. Fui.

Dito isso, o cara retornou à multidão. Todos voltaram sua a atenção para a misteriosa identidade da vítima, que, chegando a esse ponto, já me faltam maneiras de esconder. Tipo, quantas maneiras existem de enrolar um leitor por várias páginas e suprimir a identidade de alguém? Sei lá, eu devia pensar um pouco mais nisso antes de escrever essa história, né? Ou então procurar me inspirar alguém que saiba fazer. Veja Dan Brown, por exemplo. Ele consegue enrolar a gente por umas quatrocentas paginas sem contar quem é o vilão da história. Já leram algum livro do Dan Brown? Eu já li os quatro, não gostei demais de nenhum deles, mas vocês têm que admitir que ele sabe como...

Tá, tá, entendi. Aí vai. Seus chatos.

- O nome dele é...

.

..

...

- ... THAYRONE!

...

- Quer dizer que... é... é... é... é... é... que todo esse suspense era pra isso? Que reconhecimento sem graça. Metade dos leitores já imaginava que era ele. Meu Deus! Acabarei meus dias como personagem de um mito simples? Tô vendo que essa história só vai pra baixo mesmo...

[continua...]

4 comentários:

  1. MELDELS! Thayrone? O que o levaria a fazer uma coisa dessas? E a faltar todo o semestre?

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  2. Revoltei! Até Thayrone apareceu eu eu não...
    Esta história tá ficando imanente demais, sem se importar com os leitores!
    Acho que vou apelar pro Deus-ex-machina!
    Quem sabe ele não dá uma peripéricia na história e me coloca como signo relacional dotado de significado...
    uasuahsha
    Tá ótima! Continue escrevendo, pelamordedeus!!!!
    ^^

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  3. hum... N entendo as correlaçoes da historia, mas o nome do kra eh Thayrone. E o suspense teve seu final digno...
    Isso ainda vai dar pano pra manga. Continue a escrever, Dudu.

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  4. Dudu, acabei encontrando teu blog ao acaso, tava lendo a história e não parei de rir aqui, MUITO BOA PÔ.
    Sim, essa aninha sou eu, né?! haoishaiosh

    Beijos :*

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